sábado, 26 de maio de 2012

Por que será que em Rondon do Pará não houve greve na Educação nos últimos dois anos?


Na primeira década deste século, era normal em época de planejamento escolar, sobre as atividades relacionadas ao ano letivo, a discussão acerca de quando seria a greve dos profissionais de educação na rede municipal de ensino, ou em maio, em junho ou mesmo em agosto, tal era o desrespeito com que os gestores públicos municipais tratavam os servidores da educação em época de negociação sobre o reajuste salarial, embora o sindicato sempre chamava à mesa, a partir de janeiro, tendo como resposta, nos meses subsequentes, a famosa frase, “ainda estamos analisando”. E como uma massa de pão, a paciência dos servidores educacionais, em relação ao desprezo concedido pelos gestores municipais na sequência dos meses, entrava numa crescente como fora um trem sem maquinista, ou seja, greve na certa!




Felizmente, nos últimos dois anos consecutivos, essa dura e triste realidade mudou consideravelmente. Não houve estado de greve. E aí, ficamos com a indagação que leva o título desta crônica. Por que será que não houve regime de greve nos últimos dois anos na rede municipal de ensino no município de Rondon do ParáSerá que a falta de greve nestes dois últimos anos tem a ver com o aquecimento globaPor incrível que pareça, Rondon do Pará depois de dez longos anos dourados, resolveu mudar de número, e de repente, a greve findou...



Não só o regime de greve e repressão tomou outra rota, mas vimos uma mudança radical nestes últimos dois anos em relação ao tratamento mais hospitaleiro entre a casa verde e os profissionais da educação: repasse salarial de acordo com as normas do FUNDEB, aprovação do plano de cargo, abonos salariais, reformas das escolas municipais, que por sinal, estavam todas sucateadas, abandonadas, merenda de qualidade, e principalmente, o respeito e a consideração que merece todo servidor que trabalho na educação, e isso, é digno de nota!




Então, digamos que não foi apenas uma simples mudança de número, mas uma mudança de atitude comportamental de gestão, de comprometimento, sabendo-se agora, que o gestor é apenas um servidor com mandato pré-estabelecido, e que os educadores, são eternos servidores, que tenha sol ou chuva - sempre a disposição de vê rolar num rosto de criança, um sorriso depois da primeira leitura...

Então, não creio ser a hora de retroceder, e sim, de dá continuidade por uma estrada que novamente resolveu dignificar a carreira do magistério, pois, não podemos esquecer da respeitabilidade na época do governo Matildo Dias, e que logo depois foi interrompida drasticamente por uma década perdida, porém, agora, reestabelecida pela vontade política em devolver a "César o que é de César".

Assim, como o título daquele belíssimo filme britânico, protagonizado por Sidney Poitier, agora, a gestão municipal tem procurado, nestes últimos dois anos, levar em consideração, uma relação profissional, que tenha em seu perfil, sobretudo,  “ao mestre com carinho”. 


Profº. Robson Luiz Veiga

OBS:

Parabéns à  atual gestão municipal, 
que não tem medido esforços quanto ao desenvolvimento educacional
 em Rondon do Pará, em tão pouco tempo de gestão, 
embora, sabemos todos, que ainda há muito o que se fazer para chegarmos a ter em nosso município uma educação verdadeiramente de qualidade, 
tendo por saber, a vigência e o desenvolvimento de três pilares a seguir: 
remuneração profissional de qualidade aos servidores da educação, 
condições adequadas para as práticas educacionais e 
 formação continuada permanente.

   









Ao mestre com carinho


Aqueles dias de estudante,
De contar historias
e de roer unhas, se foram
Mas em minha mente
Sei que sobreviverão para sempre, sempre
Mas como vc pode agradecer alguém
Que te tirou dos lápis de cera para o perfume
Não é fácil, mas eu vou tentar

Se você quisesse o céu, eu escreveria sobre o céu com letras
Que planariam a mil pés de altura
Ao Mestre, com carinho

Chegou a hora
De fechar os livros
E os olhares demorados devem acabar
E enquanto eu os deixo
Eu saberei que estou deixando meu melhor amigo
Um amigo que me ensinou o certo do errado
E o fraco do forte
É bastante para aprender
O que, o que eu posso lhe dar em troca?

Se você quisesse a lua eu tentaria fazer um começo
Mas eu gostaria que você deixasse lhe dar meu coração
Ao Mestre, com carinho

(Lulu) tema do filme Ao mestre com carinho, clique abaixo e curta clip





quinta-feira, 15 de março de 2012

"Que farei com este livro?"


Tal indagação que temos por título, é a denominação da segunda peça teatral escrita pelo único prêmio nobel em literatura, José Saramago, editada em 1980, em comemoração aos quatrocentos anos da morte do maior poeta lusitano de todos os tempos, Luiz Vaz de Camões.

Nesta peça, Saramago brinca com as palavras ao relacionar o real ao ficcional, marca registrada em seus escritos literários, numa "reflexão que não se exaure diante do que não está explicado", como postula a professora Cínthia Renata Gatto Silva, amante e pesquisadora das inquietudes saramaguianas - fazendo surgir através da pena um Camões desconhecido, que traz no bojo apenas "papéis com versos", não aquele em bronze postado na praça em Lisboa, mas um Camões que fala, que tem voz e autenticidade, ambientada nos últimos três anos que antecederam a publicação do célebre poema épico, Os Lusíadas, após o retorno do poeta lusitano da Índias.

Saramago apresenta nesta peça, uma das cinco produzidas por este escritor ao passear pelas veredas da dramaturgia, ao tematizar a publicação da obra de arte num mundo coberto pela censura e a inquisição, a representação histórica e biográfica de Camões, por onde o leitor/espectador é convidado, pela via da ironia que se abre na obra, a "promover uma reflexão sobre o presente, a partir de uma reavaliação do passado", segundo o professor e pesquisador Cláudio de Sá Capuano, nome respeitado na atualidade em relação à dramaturgia saramaguiana.

A mesma indagação que fizeste o Camões saramaguiano no palco foi também a mesma que ouvi de certos colegas num certo dia quinze de outubro, ao receber de presente da Secretaria Municipal de Educação um belo livro sobre práticas pedagógicas em sala de aula, "Hum, logo um livro, porque não colocaram um abono pra gente na conta, afinal, que farei com este livro?".

Uns, após o evento esqueceram o livro em cima da mesa, outros o levaram pra casa e o prensaram na estante, uns mais ainda deram as crianças a brincar no quintal, e alguns poucos o jogaram na primeira lata do lixo. Raríssimos foram aqueles que leram suas páginas. E isto não é uma lenda, é um fato, uma constatação, que aconteceu, e poderia acontecer, e como bem acontece em todas as escolas brasileiras, seja pública ou particular.

Infelizmente os profissionais em educação não se interessam muito pelo ato de ler, ainda mais quando a leitura tem alguma coisa a ver com suas próprias práticas diárias. E antes alguém se esbraveja com o texto, lembremos que toda regra tem exceção.

Quanto à literatura, deixemos pra lá. Arte é coisa não muito levado a sério em ambiente escolar, e quando há, apenas pra matar o tempo, pois arte ainda é encarado como alguma coisa de quem não tem o que fazer.



Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária
PUC Goiás

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

"O amor vence tudo, vamos todos ao amor!"


"O amor vence tudo, vamos todos ao amor!"


A arte é o espelho da pátria.
O país que não preserva os seus valores culturais, jamais verá
a imagem da sua própria alma.
[Chopin]



O verso “Omnia Vincit Amor et nsa cedamus amori, escrito pouco antes de Cristo pelo poeta latino Virgílio, autor do poema épico Eneida, um clássico da literatura universal, faz parte do poema Eclogas, cuja tradução tem alguma coisa a ver com “O amor vence tudo, vamos todos ao amor”.

Com este verso, o poeta mato-grossense Daufen Bach, abre o seu sítio virtual de escritos em poéticos, ao considerar que “muitos acreditam ser, esta frase, uma utopia de Virgílio, eu prefiro acreditar que o amor sempre vencerá ou, que pelo menos, irá nos redimir...”, confessa Bach, deixando uma clara evidencia do que permeará a temática dos seus poemas.

Muito desta filosofia está diretamente ligada aos versos escritos por Bach, tendo o amor uma temática recorrente em seus escritos, bem como em seus pensamentos, e como poeta apaixonado que é, principalmente pela vida, carrega em seus traços na alma um dos mais belos escritos do poeta chileno Pablo Neruda: “Um homem só encontra a mulher ideal quando olhar no seu rosto e vê um anjo, e tendo-a nos braços, ter as tentações que só os demônios provocam”.

Encontramos na lírica deste poeta do centro-oeste brasileiro, variadas ruas temáticas folheadas em versos, que ora se encontra um Bach regionalista, que “Não se nega a vida porque ela é dura, não se nega a morte, por ser ela, de certeza, a certeza mais convencida”; ora existencialista, ao brincar com as palavras “Não quero ser nada, apenas ter a compreensão da estada nessas coisas que me roubam o tempo e a vida, ter a minha paz de aço antigo, de ácido e, mesmo sendo o pastor que vigia do alto da sebe o seu rebanho, rastejar nas coisas corriqueiras”; ora romântico, em versos metalingüísticos tais como, “às vezes, a poesia me irrita, brinca comigo, me afoga, me salva e me afoga de novo! é uma sandice, eu sei! porém, ela me completa, me traz, toda hora, a tua imagem e não me deixa miserável, mendigo...”; ora sensual, num brincar de corpos famintos em gozo eterno, ao escorregar da pele em fúria nas palmas das mãos; e por vezes uma poética apimentada em forma de crítica social, por onde “ele jantou chá de folhas de laranja e a noite de sumos ácidos engoliu o toco de vela”, como nos versos “Dos dias não fortuitos”.

A intertextualidade tão cultivada pela pesquisadora búlgara Julia Kristeva é marca registrada num dos belos poemas de Daufen Bach, “Aboiá um verso pra iludir o caminhar”, quando o mesmo dialoga com outro belíssimo poema do consagrado poeta das caatingas Patativa do Assaré, “Vaca estrela e boi fubá”, versos cantarolados pelo cearense Raimundo Fagner, ainda no início de sua carreira musical. Da mesma forma, o intertexto também se faz presente em outro belo poema de Bach, que dialoga com Manuel Bandeira, no tão famoso “O bicho”, numa crítica social que retrata o cotidiano do homem nas cidades grandes, na qual a coincidência perpassa nos versos, agora, não em forma de metáfora, mas como um fato. Embora a literatura não tenha a função de denunciar as injustiças sociais, como conceitua o crítico Harold Bloom, dando-lhe apenas o valor estético, não podemos fugir das amarras que amarram o poeta enquanto homem que produz o seu fazer poético em meio a tudo que lhe atravessa aos contornos do cotidiano. Afinal, a poesia é um construto humano.

Daufen Bach é um daqueles, cuja lírica, apesar de ainda não ter materialidade em forma impressa como tiveram Patativa e Bandeira, é virtuosamente acolhido pelo mundo virtual em “Era para ser canção”, cujo canto se encanta em muitos recantos e lares daqueles que amam a arte do pensar poético, pois como diria Bethânia, o homem precisa de poesia.


Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária
PUC Goiás

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

"Vamos Fazer de Rondon do Pará Uma Casa de Leitores"

Coitada da sociedade cuja premissa não seja a educação. Assim, entendendo que todo o processo educacional é rastreado ao solo da leitura, coitado do povo cujo hábito de leitura não esteja pautado em seu cotidiano. E creio, que em Rondon do Pará, ainda estamos engatinhando quanto ao hábito de leitura no círculo educacional. Primeiro porque não temos um programa sério nesta temática cuja nascente seja o próprio ambiente escolar, haja vista que grande parte dos nossos educadores não têm vício da leitura conjugado em suas veias, pois os mesmos, não foram educados com base na leitura, e quando digo educados à leitura, não me refiro à leitura obrigatória, tanto a do vestibular, quanto àquelas aulas chatas em que o estudante é obrigado a engolir a seco as linhas literárias sem nenhum bom motivo aparente, para depois, remexer aos exercícios questões aleatórias à própria leitura por antes mastigada; segundo, porque não temos à cultura em nosso município, desde a Secretaria de Educação até a mais distante das escolares rurais. 

Não resta dúvida de que precisamos nos ambientar dentro de uma cultura cujo fator primordial seja a leitura. Para isso, primeiramente a Secretaria de Educação, conjuntamente com a Secretaria de Cultura, tem que privilegiar em seus programas o hábito da leitura, seja na escola, ou na própria residência do estudante. Logicamente, que é um processo lento, que se aplicado eficientemente dentro das escolas desde à infância e seguindo aos anos vidouros, em dez anos possamos dizer que Rondon do Pará seja verdadeiramente uma Casa de Leitores. 

De cara temos um entrave: os nossos educadores não gostam de ler, isso, contabilizando, é claro, a maioria dos profissionais em educação, desde os coordenadores, passando pelos diretores, até chegarmos aos professores. Levemente encontramos aqui e acolá um solitário professor lendo algum romance. Não que seja um romance daqueles, mas já é um bom começo. Então, se não temos um registro de educadores amantes da arte literária, como teremos uma plateia de crianças e jovens inocentes a educar à base da leitura? Mas para isso, poderemos obter em Rondon do Pará a cultura dos Encontros, Colóquios, Seminários, Congressos, cujo tema seja sempre dedicado à leitura. E aí, surge sempre um engraçadinho a perguntar: e com qual recurso faremos isto e aquilo? Como se o FUNDEB não fora feito justamente pra este fim: o desenvolvimento educacional.

Que tal começarmos com duas Feiras Literárias por ano... Que tal começarmos por um Feira de Livro nas escolas por semestre... Que começarmos por Exposição de Livros no pátio escolar uma vez por mês... Que começarmos por um Sarau Literário por semana nas escolas... Que tal começarmos com um Concurso de Poesia por dia na hora do recreio... Que tal pelo menos começarmos a discutir o hábito da leitura entre nós educadores... Pois já cansei de ouvir nos corredores escolares uma frase besta que não cansa em conviver no cotidiano educacional: também, eles não gostam de ler? Mas, eles quem? Primeiro devemos dizer: também, nós não educamos nossos alunos ao hábito da leitura. Dizem que filho de peixe peixinho é...

O nosso estudante é tão inocente, que se chegarmos na sala de aula com uma revista na mão, ele logo irá pedir pra ler... Se chegarmos com um livro nas mãos, ele logo irá pedir emprestado... Se chegarmos com uma palavra cruzada, ele logo irá pedir uma caneta pra fazer... 

Na Escola Estadual de Ensino Médio Dr. Dionísio Bentes de Carvalho criamos durante três anos um certo hábito de leitura, que seguramente acompanha um grande número de estudantes, que mesmo longe, hoje estudando uma graduação ou bacharelado, nos procuram em tempos de férias, "professor, tem um livro aí pra emprestar pra gente...". Com isso, saímos em 2008 ao número expressivo na época de trezentas e sessenta e oito leituras não-obrigatórias; em 2009, apresentamos mil e duzentas leituras não-obrigatórias; e em 2010, mil e oitocentas leituras não-obrigatórias: um recorde no estado do Pará. Sem falar, que sessenta por cento das leituras saíram da minha própria estante, pois carrego comigo o seguinte lema: "livros não foram feitos a ficar nas estantes; antes, porém, passar por mãos e mãos", pois essa era a cultura de antigamente, a troca de livros entre leitores assíduos, e poderíamos, num futuro não tão distante, regatá-la aos nossos olhos, isso é, se mudarmos nossas práticas enquanto educadores.

Alguns, os mais céticos, poderiam dizer: são apenas palavras ao vento, porém, que seja um vento forte, daqueles capazes de arrebentar a ignorância dos fracos, e imprimir, mesmo que seja numa cidadezinha do interior, o hábito da leitura, para que no futuro, possamos nos orgulhar do trabalho que outrora fizemos. Essa deveria ser a nossa meta: Fazer de Rondon do Pará Uma Casa de Leitores. Vamos nessa?

Robson Luiz Veiga
Mestrando em Literatura e Crítica Literária
PUC Goiás






sábado, 14 de janeiro de 2012

A beleza da crítica!


Uma obra literária quando deixa as mãos do autor, ao tomar forma em papel impresso, passa a ter vida própria em outras duas direções: a perceber, a primeira nas mãos do leitor comum, aquele que apenas tem o objetivo de matar o tempo viajando pelo mundo mágico das letras, uns, um pouco menos, outros, um pouco mais; enquanto, a segunda, nas mãos do crítico literário, aquele que tem o intuito de desnudar a obra, ao ler e reler, e se possível, ler novamente, tendo o trabalho em desvelar os pormenores e as minúcias da obra, como um verdadeiro garimpeiro da palavra.

Quanto a isto, a crítica literária, podemos destacar que a capital do cerrado abarca um leque de bons críticos literários. Hoje, trataremos apenas de um, ou melhor, de uma, pois trataremos da professora Maria Aparecida Rodrigues, doutora em Teoria da Literatura, autora entre outros livros, do aclamado pela crítica – O discurso autobiográfico confessional, um estudo delicado sobre o enigmático poeta português Fernando Pessoa.

O trabalho em questão é o recente livro lançado pela editora Kelps: Angústia Selvagem, cuja preocupação é desvendar o misterioso jogo de palavras que atravessam as páginas de dois belos livros da literatura brasileira: Angústia de Graciliano Ramos e Coração selvagem de Clarice Lispector, ao trabalhar com a filosofia da linguagem e o fluxo da consciência, num fôlego de cento e noventa e uma páginas, num concerto lingüístico que mescla a linguagem acadêmica à literária, pois o crítico também passeia pelas curvas da literariedade ao moldar o seu texto. E quanto a isto, segundo o professor Divino José Pinto, doutor em Teoria Literária, Rodrigues aproxima o discurso crítico ao discurso poético-literário, focalizando a linguagem fragmentada do romance moderno ao aproximar-se da vida conturbada da sociedade da época, “ao tratar da metamorfose do homem no tempo e na linguagem”, em destaque no prefácio do livro.

Assim, Maria Aparecida Rodrigues aproxima o fazer poético de Graciliano e Clarice aos monstros sagrados da literatura, tais como, Joyce, Virgínia Woolf e Guimarães Rosa, por exemplo, em referência aos artifícios e técnicas ao narrar através da linguagem flutuante e multiforme, admitindo que o fazer poético em Angústia e perto do coração selvagem reserva ao crítico, variadas possibilidades de análises, entre elas, a linguagem do contra-ponto e do cinema, numa análise fenomenológica que tem por objetivo mostrar através das narrativas em questão, o relacionamento entre a linguagem e o homem - a revelação do ser do homem em essência e existência, como manifestação autêntica do ser da personagem, fazendo um paralelo entre a degradação da linguagem em referência à degradação do homem na sociedade moderna.

Ressalta-se aqui, a coragem e o atrevimento do discurso crítico utilizado por Maria Aparecida Rodrigues em Angústia selvagem, que ao caminhar pelos labirintos da literatura graciliana e clariciana, revela ao leitor os pormenores deixados na complexidade da linguagem literária moderna, ao tratar, sob o ponto de vista da linguagem, numa análise crítica literária, da possibilidade de edificação do ser do homem e do fazer literário, admitindo em seu discurso, como suporte teórico-filosófico, as intervenções dos teóricos Georges Gusdorf e Martin Heidegger, sobre a linguagem, o homem e a obra de arte.

Angústia selvagem é um daqueles livros em crítica literária que não pode faltar na estante de graduandos e pós-graduandos do curso de Letras, bem como, aos poetas e amantes da arte da palavra. Uma boa leitura a todos, e um bom fim de semana.

Robson Luiz Veiga


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Aniversário de Belém do Pará!

“Vou te levar pra conhecer Belém...
Sei que tu vais apaixonar também...
Vou te levar pra conhecer o Ver-o-Peso, amor!

Vou te levar pra tomar um tacacá...
Vou te levar pra dançar o boi-bumbá...
Vou te levar pra conhecer a Doca do Pará, amor!

Vem! Vem!
Vem visitar Belém
Se apaixonar também
Vem conhecer Belém, Belém, meu bem!
Vem! Vem!
Vem passear no Círio
Vem namorar no trio
Vem conhecer Belém, Belém, meu bem!

Vou te mostrar o sabor do tucupi...
Vou lambuzar teu corpo com açaí...
Vou te levar pra banhar nas águas do Pará, amor!

Vou te levar pra tomar um tacacá...
Vou te levar pra dançar o boi-bumbá...
Vou te levar pra conhecer a Doca do Pará, amor!

Vem! Vem!
Vem visitar Belém
Se apaixonar também
Vem conhecer Belém, Belém, meu bem!
Vem! Vem!
Vem passear no Círio
Vem namorar no trio
Vem conhecer Belém, Belém, meu bem!”

robson veiga

Quem disse que ele são torcedores?


A imprensa brasileira, infelizmente, ainda teima em admitir que os vândalos que marcam encontros via net, com armas, paus e pedras, em nome do futebol, são torcedores. Pra cá nós, esses caras não torcem nem pro time A, nem pro time B, e sim, pelo time V, que poderia ser de violência, ou quem sabe de vandalismo. Mas a mídia tem lá os seus equívocos, dá mesma forma como tiveram há quase 20 anos, quando diziam que os caras-pintadas representavam a massa – era tudo uma farsa, pois aquele grupo representava os congressistas, a classe média, a avenida Paulista, Vieira Souto, pois naquela época, o povão mesmo, só fazia poupança debaixo do colchão. Mas deixemos o passado trancado em sete chaves, talvez algum dia alguém reinvente esta parte da história brasileira, assim como fazia Saramago em relação à historiografia oficial portuguesa.

Por enquanto, tratamos nós, daqui! O que nós não podemos é admitir que em pleno século vinte e um os homens se armam a troco do nada, ainda por cima deixando transparecer aos intelectuais que é tudo pela paixão nacional: o futebol. Cá pra nós, enquanto o garoto propaganda Neymar, a cada piscadela que dá, engorda razoavelmente a conta bancária, bancando de iates, e ainda por cima, passando as mãos no bumbum das gatas mais suculentas da zona sul, os caras ficam na net marcando encontros em turma apenas pra provar quem manda no pedaço. Idade da pedra? Não, era das minuciosidades, porém, também nesta era, o homem, mais do que nunca, precisa de um pouco mais de leitura.

Podemos admitir sim, que sem o futebol as tardes de domingo ficam desajeitadas; que a segunda, sem a gozação pra cima do torcedor adversário, fica careta; que as noites, sem as resenhas futebolísticas nas ondas do rádio, não tem luares; mas, tirar sangue do outro ser humano pela rivalidade criada pelo futebol, ah, meu amigo, isto não dá pra admitir. Não é futebol que causa tais desejos aos ditos seres humanos que fazem tais brincadeirinhas em hora marcada...

O futebol é feito de graça, beleza e arte. Sem falar, é claro, nas cores e cânticos das torcidas; do grito, do choro e das bandeiras que tremulam nas arquibancadas. Futebol também é feito das diferenças, das rivalidades, das antíteses, mas sempre convergindo ao paradoxo, pois não precisamos nos alimentar do sangue alheio só porque o nosso time perdeu mais um clássico. Ainda mais no cerrado, que nem futebol tem, ou tem? Duvido muito se tem!

Vejamos bem um bom exemplo. Numa final de brasileirão na década de 90, em pleno Maracanã, estava eu e minha esposa, lada a lado a curtir aquele belo espetáculo. Eu com a camisa do Vasco, embora não fosse o time do meu coração, pois eu era botafoguense, e ela com a camisa do Palmeiras. No final do jogo, o clube carioca havia levantado mais uma taça, enquanto ela, torcedora do time paulista, chorava em meus braços. Não precisamos nos matar por causa de uma simples partida de futebol, mesmo que seja a perda do título nacional. Futebol é apenas mais um dos prazeres criados pelo homem. O show da vida deve continuar.

Não sou fanático por futebol a ponto de cair do décimo andar só porque meu time perdeu o título para o rival. Mas adoro ver a alegria ou o choro do torcedor de coração. Aquele que pula, que grita, que faz e cumpre promessas, que desfila sorridente sua camisa colada ao corpo na segunda, e ainda goza o colega de trabalho, que puto da vida, olhar de mansinho o companheiro e diz: tudo bem, um dia é da caça e outro do caçador, me espere... ano que vem tá chegando aí! Agora, dá flechada um no outro por causa de futebol – espera aí, conta outra que esta estou careca de saber que tais “amores” não tem nada a ver com futebol, e sim, com caso de polícia.

Robson Luiz Veiga